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Silêncio.

"Foi assim No dia em que todas as pessoas Do planeta inteiro Resolveram que ninguém ia sair de casa Como que se fosse combinado em todo o planeta Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém."
Raul Seixas não poderia prever que O dia em que a terra parou se tornaria real. Ou previu, vai saber. Lá fora, pararam os dias. Foi como se o tempo houvesse se transformado em algo tão, mas tão novo, que tivemos - todos - dificuldades em reconhecê-lo. Sozinhos, todos. Fazendo, enfim, morada... Em nós mesmos. Nos dias em que a Terra parou.
O tempo - que demoramos a reconhecer nesses dias - começou a perguntar coisas demais. E eu, distraída toda a vida, não sabia que dentro do silêncio que o tempo traz cabe tanta palavra. No quarto bagunçado que a cabeça é, pela primeira vez, as palavras ecoam alto demais, como se há tempos estivessem esperando o lado de fora fazer silêncio. E fez. Nos dias em que a Terra parou.
Ouvi, dias atrás, que estamos todos no mesmo mar revolto, finalmente. Mas, que evident…

Um lugar que ninguém mais conhece.

Nunca antes – ao menos não nessa vida -, eu havia mergulhado em águas tão cristalinas. Nesse lugar que só eu conheço, um rio profundo e inerte vive, com a força de tudo aquilo que é animado. Contemplo esse rio profundo, cristalino, que repousa entre duas altas paredes de terra laranja. E mesmo que suas águas não se movimentem, eu posso sentir que ele pulsa. Ele pulsa comigo. Azul. E cristalino. E mais azul. Não sei explicar como.
Tudo nesse rio me convida ao mergulho. E eu vou, como se dele fizesse parte. No meu corpo, corre uma alegria profunda como ele. Uma alegria de contentamento. Uma alegria de “finalmente, tudo está bem”. Alegria de que somos, o rio e eu. Um.
Sua profundidade não me assusta. Eu fluo por ele com a delicadeza de uma barbatana. Mais que isso: eu fluo por ele como se seu movimento fosse o meu. Eu sou a força que o move. E logo ele se desfaz daquela primeira característica com a qual se apresentou a mim... Imóvel, inerte. Vivemos, um no outro. Eu, rio. Ele, eu.
- Ning…